Abro os olhos. Devagar vou me acostumando à escuridão do ambiente. Um
lugar muito estranho. À primeira vista diria se tratar de uma sala pouco
iluminada. Uma sala toda amarela, sem portas ou janelas. Mas deduzo que seja
algo ainda maior. Ouço barulhos vindos de fora. Sinto angustia. Não sei o que
faço neste local. Aliás, não me lembro de como cheguei neste local. Depois de
alguns minutos caminhando, oportunamente, encontro um semelhante. Pergunto-lhe
sobre este lugar. As poucas palavras que ele usa para responder se fazem
suficientes: não faz ideia tanto quanto eu. Diz estar aqui há aproximadamente
uns dois dias. Sem acesso à água ou comida. Sinto uma preocupação crescer no
peito. De repente me vejo preso. Sendo punido por algo cruel, indecente, ou
desumano que eu tenha feito. Algo que não consigo ter vaga lembrança de ter executado.
A preocupação do meu peito se torna desespero. Estou vivendo, aqui nesta
masmorra amarela uma brincadeira sádica do destino. Brincadeira esta jocosa,
que se propõe em culpar inocentes na compensação dos verdadeiros culpados, que
pensam serem inocentes. Se meus algozes me reservam uma condenação, mereço
antes um julgamento. Pois não existe condenado se não houver quem acuse com
provas. Enquanto ainda tentava entender a minha situação, um grande alçapão no
teto da sala se abre. Uma gigante mão branca com aspecto emborrachado adentra o
cômodo. Toma para si meu companheiro de cela. E pouco antes de a porta se
fechar, escuto uma voz rouca dizer: “Pegue também o outro coelho. Precisaremos
dos dois para o experimento!”.

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